Há vinte anos, um caso completo de prótese total normalmente consumia de cinco a sete dias úteis, desde a moldagem até a entrega. O processo convencional de encaixe em moldeira, empacotamento e cura térmica consumia uma enorme quantidade de tempo na bancada, e cada transferência entre técnicos introduzia o risco de atrasos. A chegada de odontologia CAD CAM no campo das próteses removíveis redesenhou fundamentalmente essa linha do tempo. Hoje, uma prótese monolítica projetada e usinada digitalmente pode ser concluída em dois a três dias, e, em alguns laboratórios de alta eficiência, a entrega no mesmo dia já se tornou rotineira para casos de um único arco.
O mecanismo que impulsiona essa aceleração é simples: as ferramentas digitais reduzem diversos pontos manuais de intervenção a um único fluxo contínuo. Um fluxo de trabalho tradicional envolvia a confecção de modelos em gesso, modelagem em cera, investimento, descerroamento, embalagem, cura, desflasqueamento e acabamento, sendo que cada etapa poderia ficar em fila aguardando o próximo técnico. Uma digitalização por meio de escaneamento, combinada ao projeto CAD e à usinagem CAM, substitui cerca de 70% dessas transferências manuais por um fluxo contínuo e ininterrupto de dados, do arquivo à máquina.
A compressão ocorre em três etapas distintas. Primeiro, a captura da impressão digital elimina o modelo físico quando se utiliza um scanner intraoral. Mesmo quando uma impressão convencional chega ao laboratório, um scanner de mesa a digitaliza em menos de dois minutos, comparado às 20 minutos ou mais necessários para despejar e aparar o gesso.
Segundo, o software CAD automatiza o posicionamento dos dentes. Tradicionalmente, um técnico qualificado gastava de 45 a 90 minutos posicionando os dentes peça por peça. A configuração algorítmica dentro do CAD conclui a mesma tarefa em menos de 10 minutos, e o resultado torna-se um ponto de partida para refinamento, em vez de uma reconstrução.
Terceiro, a usinagem CAM produz a base da prótese em uma única passagem subtrativa a partir de um disco pré-polimerizado. O antigo ciclo de empacotamento com acrílico e cura térmica consumia horas apenas para a polimerização. Uma moderna fresadora de 5 eixos usina a mesma forma em aproximadamente 15 a 30 minutos por arco, encaminhando diretamente o caso para caracterização e entrega.
Nem todos os fluxos de trabalho CAD/CAM para dentaduras oferecem a mesma velocidade. A escolha entre uma dentadura usinada monolítica e um método de dente colado à base tem um impacto direto no tempo de entrega.
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Etapas do Fluxo de Trabalho |
Dentadura Usinada Monolítica |
Abordagem de Dente Colado |
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Tempo de projeto CAD |
8 a 12 minutos |
15 a 25 minutos |
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Tempo de usinagem por arco |
15 a 20 minutos |
10 a 15 minutos (base) mais usinagem separada dos dentes |
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Etapas de pós-processamento |
Polimento e caracterização |
Fixar os dentes à base, finalizar e caracterizar |
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Tempo laboratorial total aproximado |
Aproximadamente 2 horas |
Aproximadamente 3 a 4 horas |
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Frequência de refabricação |
Mais baixa, construção em uma única peça |
Ligeiramente mais alta, a etapa de adesão acrescenta risco |
O caminho monolítico é mais rápido e estruturalmente mais simples. A abordagem com adesão oferece maior flexibilidade na tonalidade dos dentes e na combinação de materiais. Os laboratórios que competem com base no tempo de entrega tendem a optar pela abordagem monolítica. As clínicas que necessitam de personalização estética máxima frequentemente preferem a abordagem com adesão. A resposta correta depende do caso específico, não de nenhuma regra universal.
Abaixo dos números relativos à velocidade encontra-se um fator mais discreto, mas igualmente importante: a fidelidade dimensional. A cada vez que uma impressão física é moldada, aparada, articulada e transferida entre estações, pequenos erros se acumulam. Um estudo de 2019 publicado no Journal of Prosthetic Dentistry mediu o desvio dimensional acumulado e constatou que os fluxos de trabalho digitais para próteses reduziram o acúmulo de erros em cerca de 40% em comparação com os métodos convencionais.
Uma redução no desvio se traduz diretamente em menos refações. Um caso devolvido para ajuste ou refação completa, essencialmente, duplica sua pegada de produção. A odontologia CAD/CAM antecipa a etapa de controle de qualidade, identificando problemas de adaptação e oclusão na fase de revisão do projeto digital, em vez de na consulta de prova.
Um laboratório odontológico de médio porte no norte da Itália começou a migrar seu departamento de próteses removíveis para um fluxo de trabalho totalmente digital por volta de 2021. Antes dessa mudança, o laboratório processava cerca de 12 casos de dentaduras por semana, com quatro técnicos dedicados ao trabalho com próteses removíveis. Após adotar um fluxo completo CAD/CAM — incluindo aceitação de escaneamentos intraorais, software de projeto CAD e uma fresadora seca de 5 eixos — a mesma equipe de quatro pessoas passou a lidar com 22 a 25 casos por semana, sem necessidade de estender as horas de trabalho.
O gerente do laboratório relatou que o ajuste mais difícil não foi aprender o software ou operar a fresadora. Foi repensar os pontos de controle de qualidade. No fluxo analógico, a inspeção ocorria em múltiplas etapas físicas. No fluxo digital, a verificação passou para a tela. A solução foi uma revisão obrigatória do projeto antes de qualquer fresagem começar, o que identificava cerca de 90% dos possíveis problemas antes do corte do material, preservando tanto tempo quanto custos com material.
A velocidade com que um sistema CAD/CAM pode entregar resultados depende, em parte, do que é inserido nele. Discos de zircônia para restaurações fixas precisam de dureza consistente pré-sinterização para usinagem previsível, sem lascamento nas bordas. Blocos de dissilicato de lítio exigem tolerância dimensional precisa para encaixar corretamente no suporte da peça-bruta para fresagem. Um disco de baixa qualidade que se fratura de forma imprevisível durante a fresagem desperdiça mais tempo do que qualquer processo digital consegue recuperar.
A ICERA fornece blocos de zircônia odontológica projetados para garantir consistência em lote quanto à dureza e densidade, possibilitando velocidades previsíveis de usinagem em toda a produção. Curvas padronizadas de pré-sinterização e testes de resistência à flexão por lote ajudam a assegurar que os materiais desempenhem de forma confiável nos fluxos de trabalho CAD/CAM de próteses dentárias em alta escala. Para um laboratório que opera com cronogramas apertados, a repetibilidade do material é tão importante quanto a capacidade da máquina.